O provincianismo e ignorância da Nação Cosmopolita mais saloia do mundo continua...
Realmente este Senhor, como a maioria dos Jornalistas ingleses nunca deve ter vindo a Portugal...
Como é possível sequer um inglês falar de gastronomia portuguesa, quando Inglaterra é o pior local do mundo para comer...
"Organismo britânico analisa queixas contra ataque de tablóide ao embaixador português
(...)Em causa está uma crónica no diário "Daily Mirror" publicada na segunda-feira onde o autor qualifica declarações do embaixador português no Reino Unido, António Santana Carlos, sobre o "caso Madeleine" como "estúpidas e desnecessárias".
Assinado pelo polémico jornalista Tony Parsons, este cita uma entrevista do diplomata ao diário "The Times" no passado sábado.
Nesta, o embaixador afirma que em Portugal "as famílias vivem todas juntas", razão pela qual, sugere, alguns portugueses terão criticado os McCann por terem deixado os seus filhos sozinhos a dormir num apartamento enquanto jantavam num restaurante próximo.
"Eles erraram, embaixador. As vidas deles foram destruídas. Isso é um castigo suficiente, sem os seus comentários estúpidos e desnecessários", escreve o articulista do Mirror, que aconselha que no futuro Santana Carlos "mantenha fechada a boca estúpida e trituradora de sardinhas".
O conteúdo da crónica, assim como o provocador título "Oh, up yours, senor", foi considerado por vários portugueses como uma "ofensa escandalosa", iniciando uma corrente de correios electrónicos a incitar a apresentação de uma queixa à PCC.(...)"
in Lusa/Sapo.pt
BM.
Lusa/Fim
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
O Poeta...
“o poeta é um fingidor,
finge tão completamente
que até finge que é dor
a dor que deveras sente...”
Fernando Pessoa
finge tão completamente
que até finge que é dor
a dor que deveras sente...”
Fernando Pessoa
domingo, 28 de outubro de 2007
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Espoliados do Ultramar
Numa altura em que todos falam do Documentário "A Guerra", de Joaquim Furtado, na RTP, "deixo" aqui uma opinião a ter em conta, para que a Esquerda Lacoste não se esqueça do que fez e continua a fazer...
Crónica de Opinião
por Isabel Almeida Fernandes
(Presidente da Comissão Política Distrital do CDS-PP)
(In) coerências
Vinte e cinco anos decorreram sobre a Descolonização, dita exemplar, e os portugueses foram uma vez mais confrontados com os preconceitos, hipocrisias e cobardia política que tornaram possíveis, nos idos de 1974/75, o roubo, a tortura e a morte de inúmeros portugueses de todas as raças e credos.
Como já devem ter compreendido, refiro-me à apresentação, na Assembleia da República, por parte do CDS/Partido Popular de uma proposta de Lei que possibilitasse aos Espoliados do Ultramar as indemnizações que lhe são devidas.
O País em geral e os Espoliados em particular assistiram com incrueldade às baixas artimanhas de quem, com um enorme peso na consciência sobre os seus actos e omissões de há 25 anos, procurou evitar que estes pudessem testemunhar uma vez mais o comportamento indecoroso da Esquerda Nacional.
Como todos sabem, o Estado Português tem procedido à indemnização de todos aqueles que no Alentejo foram alvo da senha comunista em 1975. Recorde-se que a estes já foram restituídos os bens e propriedades.
Compreende-se pois a indignação dos Espoliados do Ultramar Português: a mesma Lei que possibilita (e bem!) o pagamento de indemnizações às vítimas da ZIRA, renega aos Espoliados do Ultramar a possibilidade de indemnização por parte do Estado Português, remetendo-o para os novos Estados africanos.
Os portugueses em geral e os Espoliados do Ultramar em particular sabem que todas as outras potências colonizadoras assumiram as suas responsabilidades para com os seus nacionais afectados pelos fenómenos de descolonização.
Sabem também que não será com esta Esquerda (quer a Esquerda caviar, quer a Esquerda estalinista) que verão os seus direitos assegurados. Eles sabem que esta Esquerda só se preocupa com grandes causas humanitárias: as vítimas do fascismo (como se os Espoliados do Ultramar também não o tivessem sido), os excluídos socialmente com direito ao rendimento mínimo garantido e... com os Austríacos.
Espera-se que o Governo Português seja, igualmente FIRME com os PALOP, responsáveis pelo esbulho e morte de muitos dos nossos compatriotas.
Os Espoliados do Ultramar reconstituíram, bem ou mal, as suas vidas, sendo cidadãos e contribuintes. Como contribuintes têm sustentado ao longo de 25 anos os desvarios da TAP, da RTP e de inúmeras empresas públicas geridas pelo socialismo.
Demonstrando ainda imensa solidariedade, têm contribuído generosamente com os seus impostos para que o Estado Português proceda ao pagamento das indemnizações aos Espoliados da Reforma Agrária.
Como cidadãos têm sido exemplares na sua integração, sendo normalmente referências nos seus meios. Os Espoliados são, com orgulho, RETORNADOS: acautelem-se pois todos aqueles que com preconceitos procuram menosprezar os seus direitos. Eles retornarão à luta pelas suas legítimas aspirações e não esquecerão nem perdoarão.
in www.setubalnarede.pt
Crónica de Opinião
por Isabel Almeida Fernandes
(Presidente da Comissão Política Distrital do CDS-PP)
(In) coerências
Vinte e cinco anos decorreram sobre a Descolonização, dita exemplar, e os portugueses foram uma vez mais confrontados com os preconceitos, hipocrisias e cobardia política que tornaram possíveis, nos idos de 1974/75, o roubo, a tortura e a morte de inúmeros portugueses de todas as raças e credos.
Como já devem ter compreendido, refiro-me à apresentação, na Assembleia da República, por parte do CDS/Partido Popular de uma proposta de Lei que possibilitasse aos Espoliados do Ultramar as indemnizações que lhe são devidas.
O País em geral e os Espoliados em particular assistiram com incrueldade às baixas artimanhas de quem, com um enorme peso na consciência sobre os seus actos e omissões de há 25 anos, procurou evitar que estes pudessem testemunhar uma vez mais o comportamento indecoroso da Esquerda Nacional.
Como todos sabem, o Estado Português tem procedido à indemnização de todos aqueles que no Alentejo foram alvo da senha comunista em 1975. Recorde-se que a estes já foram restituídos os bens e propriedades.
Compreende-se pois a indignação dos Espoliados do Ultramar Português: a mesma Lei que possibilita (e bem!) o pagamento de indemnizações às vítimas da ZIRA, renega aos Espoliados do Ultramar a possibilidade de indemnização por parte do Estado Português, remetendo-o para os novos Estados africanos.
Os portugueses em geral e os Espoliados do Ultramar em particular sabem que todas as outras potências colonizadoras assumiram as suas responsabilidades para com os seus nacionais afectados pelos fenómenos de descolonização.
Sabem também que não será com esta Esquerda (quer a Esquerda caviar, quer a Esquerda estalinista) que verão os seus direitos assegurados. Eles sabem que esta Esquerda só se preocupa com grandes causas humanitárias: as vítimas do fascismo (como se os Espoliados do Ultramar também não o tivessem sido), os excluídos socialmente com direito ao rendimento mínimo garantido e... com os Austríacos.
Espera-se que o Governo Português seja, igualmente FIRME com os PALOP, responsáveis pelo esbulho e morte de muitos dos nossos compatriotas.
Os Espoliados do Ultramar reconstituíram, bem ou mal, as suas vidas, sendo cidadãos e contribuintes. Como contribuintes têm sustentado ao longo de 25 anos os desvarios da TAP, da RTP e de inúmeras empresas públicas geridas pelo socialismo.
Demonstrando ainda imensa solidariedade, têm contribuído generosamente com os seus impostos para que o Estado Português proceda ao pagamento das indemnizações aos Espoliados da Reforma Agrária.
Como cidadãos têm sido exemplares na sua integração, sendo normalmente referências nos seus meios. Os Espoliados são, com orgulho, RETORNADOS: acautelem-se pois todos aqueles que com preconceitos procuram menosprezar os seus direitos. Eles retornarão à luta pelas suas legítimas aspirações e não esquecerão nem perdoarão.
in www.setubalnarede.pt
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
One Of Us Cannot Be Wrong
Leonard Cohen - One Of Us Cannot Be Wrong
I lit a thin green candle, to make you jealous of me.
But the room just filled up with mosquitos,
they heard that my body was free.
Then I took the dust of a long sleepless night
and I put it in your little shoe.
And then I confess that I tortured the dress
that you wore for the world to look through.
I showed my heart to the doctor: he said I just have to quit.
Then he wrote himself a prescription,
and your name was mentioned in it!
Then he locked himself in a library shelf
with the details of our honeymoon,
and I hear from the nurse that he's gotten much worse
and his practice is all in a ruin.
I heard of a saint who had loved you,
so I studied all night in his school.
He taught that the duty of lovers
is to tarnish the golden rule.
And just when I was sure that his teachings were pure
he drowned himself in the pool.
His body is gone but back here on the lawn
his spirit continues to drool.
An Eskimo showed me a movie
he'd recently taken of you:
the poor man could hardly stop shivering,
his lips and his fingers were blue.
I suppose that he froze when the wind took your clothes
and I guess he just never got warm.
But you stand there so nice, in your blizzard of ice,
oh please let me come into the storm.
I lit a thin green candle, to make you jealous of me.
But the room just filled up with mosquitos,
they heard that my body was free.
Then I took the dust of a long sleepless night
and I put it in your little shoe.
And then I confess that I tortured the dress
that you wore for the world to look through.
I showed my heart to the doctor: he said I just have to quit.
Then he wrote himself a prescription,
and your name was mentioned in it!
Then he locked himself in a library shelf
with the details of our honeymoon,
and I hear from the nurse that he's gotten much worse
and his practice is all in a ruin.
I heard of a saint who had loved you,
so I studied all night in his school.
He taught that the duty of lovers
is to tarnish the golden rule.
And just when I was sure that his teachings were pure
he drowned himself in the pool.
His body is gone but back here on the lawn
his spirit continues to drool.
An Eskimo showed me a movie
he'd recently taken of you:
the poor man could hardly stop shivering,
his lips and his fingers were blue.
I suppose that he froze when the wind took your clothes
and I guess he just never got warm.
But you stand there so nice, in your blizzard of ice,
oh please let me come into the storm.
terça-feira, 16 de outubro de 2007
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Arquitectos...
“Architects are pretty much high-class whores. We can turn down projects the way they can turn down some clients, but we've both got to say yes to someone if we want to stay in business.”
Philip Johnson
Philip Johnson
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Para reflectir...
Uma opinião a ter em conta pelos nossos governantes e pelos "ambientalistas"...
"Viseu, 10 Out (Lusa) - Portugal não tem condições para manter o actual nível de vida sem profundas transformações, defendeu hoje, em Viseu, Dias Loureiro, antigo ministro do Governo de Cavaco Silva.
Dias Loureiro falava numa conferência organizada pela Caixa geral de Depósitos e pelo Diário Económico, em Viseu.
Na conferência, Dias Loureiro, actualmente administrador de empresas e conselheiro de Estado, deixou como recado essencial que Portugal não tem condições para manter o actual nível de vida sem profundas transformações.
(...)
O turismo é o sector onde Dias Loureiro encontra maior potencial para equilibrar as contas do País mas disse que isso só se faz com novas mentalidades, dando como exemplo - e também aqui causando alguns sorrisos na plateia - o golfe e como ele é visto em países mais ricos e desenvolvidos.
Se em Portugal muitos são aqueles que se batem contra a construção de campos de golfe por questões ambientais, na Suécia, alguns destes "greens" estão situados em zonas protegidas e mesmo em reservas ambientais sem que isso tenha gerado impactos negativos.
Já no final, disse ser um "caso para ter vergonha" - Dias Loureiro, pelo menos disse ter "vergonha" - que nos últimos 20 anos Portugal tenha recebido milhões da Europa, que são oriundos de impostos pagos por cidadãos europeus anónimos que se levantam de madrugada para ir trabalhar, sem que os resultados se equiparem aos conseguidos pela Irlanda."
RB.
Lusa/Fim
retirado da Lusa- Sapo
"Viseu, 10 Out (Lusa) - Portugal não tem condições para manter o actual nível de vida sem profundas transformações, defendeu hoje, em Viseu, Dias Loureiro, antigo ministro do Governo de Cavaco Silva.
Dias Loureiro falava numa conferência organizada pela Caixa geral de Depósitos e pelo Diário Económico, em Viseu.
Na conferência, Dias Loureiro, actualmente administrador de empresas e conselheiro de Estado, deixou como recado essencial que Portugal não tem condições para manter o actual nível de vida sem profundas transformações.
(...)
O turismo é o sector onde Dias Loureiro encontra maior potencial para equilibrar as contas do País mas disse que isso só se faz com novas mentalidades, dando como exemplo - e também aqui causando alguns sorrisos na plateia - o golfe e como ele é visto em países mais ricos e desenvolvidos.
Se em Portugal muitos são aqueles que se batem contra a construção de campos de golfe por questões ambientais, na Suécia, alguns destes "greens" estão situados em zonas protegidas e mesmo em reservas ambientais sem que isso tenha gerado impactos negativos.
Já no final, disse ser um "caso para ter vergonha" - Dias Loureiro, pelo menos disse ter "vergonha" - que nos últimos 20 anos Portugal tenha recebido milhões da Europa, que são oriundos de impostos pagos por cidadãos europeus anónimos que se levantam de madrugada para ir trabalhar, sem que os resultados se equiparem aos conseguidos pela Irlanda."
RB.
Lusa/Fim
retirado da Lusa- Sapo
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
terça-feira, 9 de outubro de 2007
Como construir a sua moradia sem ter que aturar um arquitecto
Um texto que acho que representa a cultura e o modo de ser português, que atravessa várias classes sociais e económicas e que demonstra o porquê das "belas cidades e urbanizações" que existem por todo o País...
Como construir a sua moradia sem ter que aturar um arquitecto
por
Rui Campos Matos
(escrito para o Diário de Notícias da Madeira, secção “Arquitectura e Território)
“Quantas pessoas, quando chega o momento de construir a moradia com que sempre sonharam, não passam pela aflição de perguntar a si próprias: será que vou ter de aturar um arquitecto?
Neste pequeno artigo, tentarei explicar como construir uma nova casa, sem se sujeitar às exigências de um desses profissionais. Para que o empreendimento seja levado a cabo com êxito há que fazer três importantes escolhas: estilo, técnico e empreiteiro.
O estilo
Eis-nos perante a primeira decisão a tomar - o estilo da casa. Felizmente não é difícil porque existem apenas dois: o tradicional (também conhecido por rústico) e o moderno, que vem colhendo cada vez mais adeptos entre os jovens.
O tradicional caracteriza-se pelo típico telhado de aba e canudo, a janela de alumínio aos quadradinhos, a lareira de cantaria com a sua chaminé e o imprescindível barbecu, testemunho dos inumeráveis prazeres da vida rústica. Já o moderno é completamente diferente, tão diferente que até as coisas mudam de nome. O telhado desaparece, dando lugar à cobertura plana; a janela perde os quadradinhos e passa a chamar-se vão; à chaminé, em tubo de aço inoxidavel, chama-se fuga; e barbecu é um termo obsceno que deve ser evitado na presença das senhoras.
Não existem, pois, quaisquer espécie de dúvidas quanto a questões de estilo - ou se é tradicional ou se é moderno, as duas coisas ao mesmo tempo é impossível.
O técnico
Escolhido o estilo, há que escolher o alfaiate, que aqui designaremos pelo técnico. Trata-se de uma escolha muito fácil, porque o que não falta são técnicos. Intitulem-se eles construtores civis diplomados, agentes técnicos de engenharia, electricistas habilitados ou desenhadores habilidosos, todos se regem pela mesma cartilha, a de João de Deus: o pinto pia, a pipa pinga… Não passaram cinco anos a estudar arquitectura? Não estagiaram mais dois? Que importa isso? Concentremo-nos apenas nas suas virtudes:
1- Projecto elaborado em tempo recorde.
2- Preço: 999 €.
Mas como conseguem eles ser tão eficazes? É simples: antes de encomendado, o projecto já está feito. Até parece milagre! Mas não é, o que se passa é o seguinte: o técnico tem duas pastas no computador, uma para projectos em estilo tradicional, outra para os modernos. Escolhido o estilo pelo cliente, é fácil, emenda daqui, remenda de acolá e, numa tarde, o projecto está feito! Para quê complicar?
“Mas o rapaz parecia semi-analfabeto, disse que não podia assinar o projecto, mas que havia outro técnico que podia…”. Não é caso para preocupações, trata-se de uma situação corrente em que um técnico analfabeto paga a um técnico habilitado para que este, a troco de uns trocos, assine de cruz. Está tudo incluído no pacote e, (ironia do destino!), quantas vezes o técnico habilitado não é um arquitecto daqueles que faltaram às aulas de religião e moral…
Aprovado o projecto, o técnico já não é preciso para nada. É dizer-lhe adeus que ele até agradece, porque de obra não percebe nada nem quer perceber, quem percebe disso é o empreiteiro – a nossa terceira e última escolha.
O empreiteiro
O primeiro encontro entre cliente e empreiteiro costuma ser decisivo. É nele que terá de se estabelecer, entre o primeiro e o segundo, uma relação de confiança cega, em tudo semelhante à fé. A fé de quem acredita que, com um projecto feito por um técnico, que não especifica nada, que não pormenoriza nada e que não quantifica nada, não vai ser enganado por um homem que passa o dia a fazer contas de cabeça… Entre cinco pequenos empreiteiros, como escolher o indicado para construir a moradia? Infelizmente, chegados a este ponto, não posso recomendar senão fé, muita fé e confiança, porque tudo o resto é irrelevante:
1- O valor do orçamento é irrelevante, foi feito com base no projecto do tal técnico, é um número atirado para o ar, um número que, com os imprevistos, há-de subir ainda umas quantas vezes.
2- O prazo estabelecido para concluir a obra vai depender do bom ou mau tempo e, nesse capítulo, só Deus sabe.
3- As garantias dadas são as que estão na lei - cinco anos. Se a casa apresentar defeitos, reclame; se a reclamação não for atendida, recorra ao tribunal (também pode recorrer ao pai natal se achar que demora menos tempo…)
Em suma, não vale a pena perder tempo com ninharias, o mais importante é ter fé.
Conclusão
Se, apesar de conscienciosamente feitas estas três escolhas, as coisas não correrem lá muito bem, se a casa ficar pelo dobro do preço, se no Verão se assar lá dentro e no Inverno se tiritar de frio, se para abrir a porta do armário for preciso arrastar a mesa de cabeceira, se o vizinho protestar com o barbecu, se a cobertura plana meter água, não vale a pena desesperar, resta sempre a consolação de não ter tido de aturar um arquitecto.”
Como construir a sua moradia sem ter que aturar um arquitecto
por
Rui Campos Matos
(escrito para o Diário de Notícias da Madeira, secção “Arquitectura e Território)
“Quantas pessoas, quando chega o momento de construir a moradia com que sempre sonharam, não passam pela aflição de perguntar a si próprias: será que vou ter de aturar um arquitecto?
Neste pequeno artigo, tentarei explicar como construir uma nova casa, sem se sujeitar às exigências de um desses profissionais. Para que o empreendimento seja levado a cabo com êxito há que fazer três importantes escolhas: estilo, técnico e empreiteiro.
O estilo
Eis-nos perante a primeira decisão a tomar - o estilo da casa. Felizmente não é difícil porque existem apenas dois: o tradicional (também conhecido por rústico) e o moderno, que vem colhendo cada vez mais adeptos entre os jovens.
O tradicional caracteriza-se pelo típico telhado de aba e canudo, a janela de alumínio aos quadradinhos, a lareira de cantaria com a sua chaminé e o imprescindível barbecu, testemunho dos inumeráveis prazeres da vida rústica. Já o moderno é completamente diferente, tão diferente que até as coisas mudam de nome. O telhado desaparece, dando lugar à cobertura plana; a janela perde os quadradinhos e passa a chamar-se vão; à chaminé, em tubo de aço inoxidavel, chama-se fuga; e barbecu é um termo obsceno que deve ser evitado na presença das senhoras.
Não existem, pois, quaisquer espécie de dúvidas quanto a questões de estilo - ou se é tradicional ou se é moderno, as duas coisas ao mesmo tempo é impossível.
O técnico
Escolhido o estilo, há que escolher o alfaiate, que aqui designaremos pelo técnico. Trata-se de uma escolha muito fácil, porque o que não falta são técnicos. Intitulem-se eles construtores civis diplomados, agentes técnicos de engenharia, electricistas habilitados ou desenhadores habilidosos, todos se regem pela mesma cartilha, a de João de Deus: o pinto pia, a pipa pinga… Não passaram cinco anos a estudar arquitectura? Não estagiaram mais dois? Que importa isso? Concentremo-nos apenas nas suas virtudes:
1- Projecto elaborado em tempo recorde.
2- Preço: 999 €.
Mas como conseguem eles ser tão eficazes? É simples: antes de encomendado, o projecto já está feito. Até parece milagre! Mas não é, o que se passa é o seguinte: o técnico tem duas pastas no computador, uma para projectos em estilo tradicional, outra para os modernos. Escolhido o estilo pelo cliente, é fácil, emenda daqui, remenda de acolá e, numa tarde, o projecto está feito! Para quê complicar?
“Mas o rapaz parecia semi-analfabeto, disse que não podia assinar o projecto, mas que havia outro técnico que podia…”. Não é caso para preocupações, trata-se de uma situação corrente em que um técnico analfabeto paga a um técnico habilitado para que este, a troco de uns trocos, assine de cruz. Está tudo incluído no pacote e, (ironia do destino!), quantas vezes o técnico habilitado não é um arquitecto daqueles que faltaram às aulas de religião e moral…
Aprovado o projecto, o técnico já não é preciso para nada. É dizer-lhe adeus que ele até agradece, porque de obra não percebe nada nem quer perceber, quem percebe disso é o empreiteiro – a nossa terceira e última escolha.
O empreiteiro
O primeiro encontro entre cliente e empreiteiro costuma ser decisivo. É nele que terá de se estabelecer, entre o primeiro e o segundo, uma relação de confiança cega, em tudo semelhante à fé. A fé de quem acredita que, com um projecto feito por um técnico, que não especifica nada, que não pormenoriza nada e que não quantifica nada, não vai ser enganado por um homem que passa o dia a fazer contas de cabeça… Entre cinco pequenos empreiteiros, como escolher o indicado para construir a moradia? Infelizmente, chegados a este ponto, não posso recomendar senão fé, muita fé e confiança, porque tudo o resto é irrelevante:
1- O valor do orçamento é irrelevante, foi feito com base no projecto do tal técnico, é um número atirado para o ar, um número que, com os imprevistos, há-de subir ainda umas quantas vezes.
2- O prazo estabelecido para concluir a obra vai depender do bom ou mau tempo e, nesse capítulo, só Deus sabe.
3- As garantias dadas são as que estão na lei - cinco anos. Se a casa apresentar defeitos, reclame; se a reclamação não for atendida, recorra ao tribunal (também pode recorrer ao pai natal se achar que demora menos tempo…)
Em suma, não vale a pena perder tempo com ninharias, o mais importante é ter fé.
Conclusão
Se, apesar de conscienciosamente feitas estas três escolhas, as coisas não correrem lá muito bem, se a casa ficar pelo dobro do preço, se no Verão se assar lá dentro e no Inverno se tiritar de frio, se para abrir a porta do armário for preciso arrastar a mesa de cabeceira, se o vizinho protestar com o barbecu, se a cobertura plana meter água, não vale a pena desesperar, resta sempre a consolação de não ter tido de aturar um arquitecto.”
Subúrbios Deprimentes
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
O POVO
"Há no mundo uma raça de homens com instintos sagrados e luminosos, com divinas bondades do coração, com uma inteligência serena e lúcida, com dedicações profundas, cheias de amor pelo trabalho e de adoração pelo bem, que sofrem, e se lamentam em vão.
Estes homens são o Povo.
Estes homens, sob o peso do calor e do sol, transidos pelas chuvas, e pelo frio, descalços, mal nutridos, lavram a terra, revolvem-na, gastam a sua vida, a sua força, para criar a pão, o alimento de todos.
Estes homens são o Povo, e são os que nos alimentam.
Estes homens vivem nas fábricas, pálidos, doentes, sem família, sem doces noites, sem um olhar amigo que os console, sem ter o repouso do corpo e a expansão da alma, e fabricam o linho, o pano, a seda, os estofos.
Estes homens são o Povo, e são os que nos vestem.
Estes homens vivem debaixo das minas, sem o sol e as doçuras consoladoras da Natureza, respirando mal, comendo pouco, sempre na véspera da morte, rotos, sujos, curvados, e extraem o metal, o minério, o cobre, o ferro, e toda a matéria das indústrias.
Estes homens são o Povo, e são os que nos enriquecem.
Estes homens, nos tempos de lutas e de crises, tomam as velhas armas da Pátria e vão, dormindo mal, com marchas terríveis, a neve, a chuva, ao frio, nos calores pesados, combater e morrer longe dos filhos e das mães, sem ventura, esquecidos, para que nós conservemos o nosso descanso opulento.
Estes homens são o Povo, e são os que nos defendem.
Estes homens formam as equipagens dos navios, são lenhadores, guardadores de gado, servos mal retribuídos e desprezados.
Estes homens, são os que nos servem.
E o mundo oficial, opulento, soberano, o que faz a estes homens que o vestem, que o alimentam, que o enriquecem, que o defendem, que o servem?
Primeiro, despreza-os não pensa neles, não vela por eles; trata-os como se tratam os bois; deixa-lhes apenas uma pequena porção dos seus trabalhos dolorosos; não lhes melhora a sorte, cerca-os de obstáculos e de dificuldades; forma-lhes em redor uma servidão que os prende e uma miséria que os esmaga; não lhes dá protecção; e, terrível coisa, não os instrui: deixa-lhes morrer a alma.
E por isso que os que tem coração e alma, e amam a Justiça, devem lutar e combater pelo Povo.
E ainda que não sejam escutados, tem na amizade dele uma consolação suprema.”
Eça de Queirós
Estes homens são o Povo.
Estes homens, sob o peso do calor e do sol, transidos pelas chuvas, e pelo frio, descalços, mal nutridos, lavram a terra, revolvem-na, gastam a sua vida, a sua força, para criar a pão, o alimento de todos.
Estes homens são o Povo, e são os que nos alimentam.
Estes homens vivem nas fábricas, pálidos, doentes, sem família, sem doces noites, sem um olhar amigo que os console, sem ter o repouso do corpo e a expansão da alma, e fabricam o linho, o pano, a seda, os estofos.
Estes homens são o Povo, e são os que nos vestem.
Estes homens vivem debaixo das minas, sem o sol e as doçuras consoladoras da Natureza, respirando mal, comendo pouco, sempre na véspera da morte, rotos, sujos, curvados, e extraem o metal, o minério, o cobre, o ferro, e toda a matéria das indústrias.
Estes homens são o Povo, e são os que nos enriquecem.
Estes homens, nos tempos de lutas e de crises, tomam as velhas armas da Pátria e vão, dormindo mal, com marchas terríveis, a neve, a chuva, ao frio, nos calores pesados, combater e morrer longe dos filhos e das mães, sem ventura, esquecidos, para que nós conservemos o nosso descanso opulento.
Estes homens são o Povo, e são os que nos defendem.
Estes homens formam as equipagens dos navios, são lenhadores, guardadores de gado, servos mal retribuídos e desprezados.
Estes homens, são os que nos servem.
E o mundo oficial, opulento, soberano, o que faz a estes homens que o vestem, que o alimentam, que o enriquecem, que o defendem, que o servem?
Primeiro, despreza-os não pensa neles, não vela por eles; trata-os como se tratam os bois; deixa-lhes apenas uma pequena porção dos seus trabalhos dolorosos; não lhes melhora a sorte, cerca-os de obstáculos e de dificuldades; forma-lhes em redor uma servidão que os prende e uma miséria que os esmaga; não lhes dá protecção; e, terrível coisa, não os instrui: deixa-lhes morrer a alma.
E por isso que os que tem coração e alma, e amam a Justiça, devem lutar e combater pelo Povo.
E ainda que não sejam escutados, tem na amizade dele uma consolação suprema.”
Eça de Queirós
domingo, 7 de outubro de 2007
Iniciou-se mais um Blog ... iniciou-se com uma citação ... "Aquele que procura o Céu na Terra certamente adormeceu na aula de geografia..."
Não pretendo procurar o céu, nem sequer saber o meu lugar no Mundo...
Chamei-lhe "Mundos e Desabafos" , os vários mundos que existem no Mundo, as várias visões do Mundo, ou cada pessoa como o seu próprio mundo.
Não pretendo escrever sobre o estado do Planeta nem sobre o Estado da Nação, nem sequer de arquitectura, mas sim "falar" das imagens mundandas que se atravessam todos os dias, os desabafos da vida em sociedade e da Sociedade...
Queria desabafar, queria escrever, não sei para quê nem para quem...
Não pretendo procurar o céu, nem sequer saber o meu lugar no Mundo...
Chamei-lhe "Mundos e Desabafos" , os vários mundos que existem no Mundo, as várias visões do Mundo, ou cada pessoa como o seu próprio mundo.
Não pretendo escrever sobre o estado do Planeta nem sobre o Estado da Nação, nem sequer de arquitectura, mas sim "falar" das imagens mundandas que se atravessam todos os dias, os desabafos da vida em sociedade e da Sociedade...
Queria desabafar, queria escrever, não sei para quê nem para quem...
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